
Crossroads

Crossroads
Depois de matar a Velha e retornar a Bloodhoof, Gennia disse-me para procurar o arquidruida Hamuul Runetotem em Thunder Bluff, como havia contado no nosso último encontro.
Dormi um sono pesado e acordei bem cedo na manhã seguinte. Meu kodo já havia retornado de Razorfen Kraul. Como Thunder Bluff não era tão distante, nem o deixei descansar totalmente. Partimos assim que o Sol nos permitiu.
Chegamos a Thunder Bluff e fui rapidamente falar com Auld, estava ansioso pela conversa com Hamuul. Auld ficou muito agradecido e disse que certamente sua tribo encontraria conforto na justiça que eu ajudara a estabelecer. Com a engrandecedora sensação da gratidão de Auld, fui à procura do mestre Hamuul no penhasco dos Elders de Thunder Bluff. Atravessei a ponte que liga a mesa central ao penhasco com um ar de pressa e autoridade, já me sentia importante ali, atendendo a um chamado dos nossos espíritos ancestrais. Do meio da ponte, olhei para o vale de Mulgore lá embaixo; já sentia, de forma estranha, saudades da tranquilidade daquela terra.
— Mestre Hamuul, eu sou Broomn e venho por ordem de Gennia Runetotem — apresentei-me.
— Seja bem-vindo, Broomn — respondeu ele com a voz de um trovão.
— Veja, infelizmente não temos muito tempo para conversar. Os druidas de Thunder Bluff identificaram a fonte de uma estranha energia vinda do Barrens. Enviei um druida para investigar o que está acontecendo, mas temo que ele necessite de ajuda. Seu nome é Tonga Runetotem. Ele está em Crossroads, área central do Barrens. Portanto, ouça com atenção: vou dar-te algumas moedas para pagar pela manticora. Voe para Crossroads e ofereça apoio ao Tonga.
Aquela sensação de importância que eu sentira enquanto atravessava a ponte logo atrás de mim já tinha dado lugar a mais dúvida e insegurança. Voar? Eu nem imaginava que poderia voar naquelas manticoras um dia, e o dia chegou sem qualquer sinal prévio. Já tinha até me acostumado ao elevador, mas voar?
Bem, eu não iria desistir, então peguei aquelas moedas e fui ter com Tal, o mestre das manticoras em Thunder Bluff. Ele rapidamente empurrou-me para cima de uma manticora e deu-lhe um tapa nos traseiros. A fera alada rugiu alto e saltou para fora da torre de voo como uma águia que mergulha para apanhar um coelho. Meu corpo foi primeiro todo para trás, em seguida, todo para a frente, meus quatro estômagos vieram até a garganta, pensei que fosse cair, então, agarrei-me fortemente à juba da manticora e procurei me equilibrar. O voo não foi tão gracioso como a marcha de um kodo, mas em poucos minutos eu consegui ver Crossroads. Uma viagem que levaria pelo menos dois dias de kodo. E a paisagem lá de cima é deslumbrante!

Chegando a Crossroads, lembrei vagamente do que o guerreiro Kirge me havia dito na taverna, em Camp Taraujo. Eu não me lembrava muito, mas lembrava que era também algo sobre Crossroads. E ali estava eu.
Crossroads não é grande, mas tem forte concentração militar. Por ser estrategicamente posicionada, tornou-se uma espécie de centro de comando da Horda na região, a despeito da proximidade com Orgrimmar. Encontrei Tonga na entrada da vila. Ele acolheu-me prontamente como pupilo de sua prima, Gennia e enviado de Hamuul. Chamou-me para entrar e descansar um pouco, assim poderíamos nos refrescar com um suco e conversar sobre o que me levava até ali.
— Estou investigando uma estranha energia vinda dos oásis ao nosso redor e preciso que vá até lá coletar evidências e observar. Entretanto, a Horda mantém todo o controle militar do Barrens aqui e isso faz com que tenhamos muitas necessidades além das minhas. Hoje nos reuniremos com os líderes locais na taverna. Lá poderei te apresentar e discutir onde melhor aplicar suas energias.
E continuou:
— Thork é o comandante militar, um orc de muito pulso. Além dele, temos outros líderes que compõem o conselho. Cada um é responsável por algo que é de seu interesse pessoal ou de seu povo, mas também representa algum interesse para a Horda. E é a Horda que nos une pelos nossos anseios a uma vida digna em nossas terras sagradas.
O Conselho dos Sete
A noite chegou e nos dirigimos à taverna. A maioria, se não todos, já estava lá quando chegamos. Thork começou a falar:
— Boa noite. Como todos devem saber, as coisas continuam complicadas em todas as frentes. Os centauros e quilboars estão aumentando em número, se continuarem assim, logo seremos minoria. As patrulhas do norte também necessitam de mais soldados. Sergra, como estão nossos estoques de carne?
— Não temos muito — respondeu ela. — Talvez o suficiente para duas semanas, não mais que isso, apesar da abundância de animais na região. É que têm surgido poucos novos caçadores e aumentado o número de bocas para alimentar.
— Jahan, diga-me sobre nossas armaduras e comércio — retrucou Thork.
— Dependemos do couro dos animais da caça, portanto, não muito bem — respondeu Jahan. — E a redução que vejo no comércio também indica o aumento do perigo nas estradas do Barrens.
— Korran? — perguntou Thork.
— Silithus também reporta turbulências constantes, os Quiraj têm aumentado sua atividade — respondeu Korran. — Continuo com meus estudos sobre os insetos gigantes escravizados por eles e alguma ajuda poderia ser muito útil.
— Darsok, o que tem para nós? — indagou Thork.
— Sem muitas novidades da minha parte. Só esperando o momento em que podem precisar de alguém discreto e inteligente para o serviço.
Esse provocou risadas. O clima era tenso, mas sempre havia espaço para algum bom-humor. Thork continuou:
— Helbrim, da sua parte...
— Nada novo até o momento... — respondeu. — Estamos fazendo progresso, mas preciso de mais tempo. O veneno que estudo é raro e instável, muito difícil de se obter e manipular.
— Tonga, o que nos traz de novo? — perguntou Thork, olhando para mim.
— Esse é Broomn, druida de Bloodhoof, da ordem dos druidas de Thunder Bluff — respondeu Tonga. — Ele veio até nós para oferecer apoio e sua força de trabalho.
— Ótimo! — interrompeu Thork. — Podemos enviá-lo para as patrulhas do norte. Vejo que é jovem, forte e posso sentir o cheiro da sua sede de sangue daqui. Já matou alguém, jovem? — perguntou dirigindo-se a mim.
Respondi com ar inocente, sem muita noção do que estava falando:
— Matei uma velha feiticeira em um ataque furtivo, isso conta?
Desta vez, gargalhadas no salão.
— Claro que conta! — gritou Darsok.
Calmamente, Tonga jogou água fria nos ânimos.
— Uh, é que os druidas têm planos para o Broomn aqui em Crossroads. Estou investigando a fonte de energia estranha que tem vindo dos nossos oásis, preciso do auxílio dele nisso.
— Ok — respondeu Thork. — Que assim seja! Assim que atender as necessidades mais imediatas de Tonga, poderá nos ajudar com algo mais. Broomn, seja bem-vindo! Sangue e honra!

A reunião terminou, mas as pessoas continuavam por ali, conversando e bebendo. Nisso, Helbrim se aproximou.
— Tonga, você disse que está investigando algo em nossos oásis. Alguma chance de ir até os Poços Esquecidos, a noroeste?
— Sim. Precisarei enviar Broomn até lá amanhã pela manhã — respondeu Tonga.
— Preciso de alguns esporos dos cogumelos de lá, pode trazer pra mim, Broomn?
— Sim, claro que sim! — respondi.
Já era tarde e todos se recolheram às suas tendas. Na manhã seguinte, antes que o clima esquentasse demais, parti para os Poços Esquecidos. Desta vez já não podia contar com um kodo, mas como era uma distância curta e não precisava de bagagem, fui na forma de leopardo. Nessa forma posso viajar com grande velocidade, embora possa carregar menos bagagem. Levei apenas uma bolsa, para coletar os esporos pedidos por Helbrim. A alquimia dele me deixava curioso, já que também sou alquimista, mas sem qualquer sombra de dúvida, praticamos alquimias ligeiramente diferentes, para dizer o mínimo.
Os Poços Esquecidos
Chegando nos Poços Esquecidos fiquei encantado com a beleza do oásis. Um lago ao centro e muita vida em volta, destoando totalmente da paisagem árida do Barrens. A abundância de tons de verde também me remetia a Mulgore, já que o Barrens todo é dominado por tons amarelados, de mato seco e poeira. Os centauros estavam por toda parte, claramente dominando o local e seus recursos. Antes de me aproximar, mudei novamente de forma, desta vez para leão, para espreitar. Esgueirei-me através da relva até a margem do lago, onde encontrei os cogumelos desejados por Helbrim. Coletei os esporos, escondi a bolsa no mato, para que não a molhasse, e entrei na água para continuar minha investigação. Uma fonte de energia... Que aparência poderia ter uma fonte de energia?

Já havia nadado por todo o lago e não tinha encontrado nada que remetesse a uma fonte de energia. Sem saber muito o que fazer, decidi dar um mergulho e refrescar a cabeça antes de ir embora. Foi aí que algo chamou minha atenção: uma fissura no fundo do lago, que soltava bolhas como se estivesse respirando. Mergulhei até lá, era possível sentir a energia fluir daquela fissura.
Saí da água, apanhei minha bolsa com os esporos e retornei rapidamente a Crossroads. Tonga precisava saber sobre a minha descoberta.
E você? Gostaria de saber também? Então não perca nosso próximo encontro. :)
Até lá,
Broomn.
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