
A Velha

Espíritos Ancestrais
Depois de conhecer Auld em Thunder Bluff, a história dele realmente tomou meus pensamentos. Retornei para Bloodhoof, mas não conseguia parar de pensar no sofrimento de toda aquela tribo tauren. Então decidi consultar minha mestra, Gennia Runetotem. Além de ser muito sábia, eu tinha a certeza de que ela compreenderia meus sentimentos e conseguiria dar-me bons conselhos. Rapidamente fiz uma pequena fogueira às margens do lago, perto do meu local preferido, enquanto Gennia preparava seu longo cachimbo com ervas relaxantes, apropriadas para aquela conversa.

A noite já caía e o fogo rapidamente se tornou nossa fonte de luz. Calmamente contei a história de Auld para Gennia enquanto passávamos alternadamente o cachimbo. Disse a ela que já havia algumas noites que eu não dormia bem, ficava ouvindo vozes me dizendo para atender o clamor daquele povo. Nesse momento, senti que Gennia concentrou seu olhar nas minhas expressões. Depois de uma longa pausa, disse-me expelindo a fumaça que fazia desenhos no ar enquanto ganhava lentamente altura:
— São os espíritos de nossos antepassados, Broomn. Você deve ser forte e seguir seu destino, a jornada que se inicia aqui é imprevisível e não terá volta. Posso te ajudar a preparar sua viagem, não temos muito tempo. E lembre-se sempre do que aprendeu até aqui. Prepare sua bagagem esta noite com tudo o que for indispensável. Amanhã, bem cedo, falaremos com Mull para conseguir o melhor kodo de Mulgore.
Mull Thunderhorn é o melhor treinador de kodos de toda a região. Parece que aquela frase, ao final, tirou todo o peso das anteriores e me transmitiu uma enorme segurança. Mas tudo que ela dizia era que eu teria um bom kodo...
A jornada
Na manhã seguinte, eu já tinha tudo o que precisava em uma pequena mochila: alguma comida, uma capa extra, e algumas ervas e apetrechos para poções básicas, como uma poção de vida ou de mana. Quando encontrei Gennia e Mull no estábulo, Gennia deu-me uma pedra com uma runa encravada. Era uma Pedra do Lar. A runa lhe confere um poder mágico para teleportar uma pessoa de qualquer lugar para o lugar que considera como lar. Ela pode ser muito útil em momentos de dificuldade e perigo. E não pensem que me esqueci da minha vara de pesca! Também a pendurei bem ali, na lateral do arreio do kodo. Nunca se sabe quando poderemos descansar e pescar um pouco, não é verdade? Bagagem pronta, montei e parti para o Leste, rumo às terras ermas no Sul do Barrens.
À medida que o kodo caminhava, eu via a vila ficar menor atrás de mim, assim como meus sonhos de um jovem tauren. À frente, via crescerem as montanhas que dividem Mulgore do Barrens, assim como meu anseio pelo que havia de encontrar além delas. Meu primeiro destino era Camp Taraujo, um acampamento fortificado da Horda que serve de ponto de descanso para viajantes.
Um dia inteiro de viagem, finalmente cheguei a Camp Taraujo no final da tarde. Estava tão cansado que só pensava em procurar a taverna e descansar um pouco. Tanto cansaço nem poderia ser da viagem, que não havia sido assim tão longa, mas certamente vinha da inquietude da minha mente, que não parava nem por um segundo. Amarrei o kodo à porta da taverna, entrei e pedi um copo de leite gelado. Logo se aproximou um tauren que disse ter notado em mim um jovem e corajoso druida. Seu nome era Kirge, Kirge Sternhorn. Sentou-se para beber comigo, contou-me que era um guerreiro da Horda e que percebia em mim uma grande força. Disse-me que os espíritos haviam previsto minha chegada, que minha contribuição seria muito importante para a Horda em Crossroads.
Naquela hora minha cabeça deu mil voltas e posso garantir que não foi a bebida. Eu mal tinha decidido enfrentar uma luta que não era minha e, na minha primeira parada para descanso, já havia mais gente dizendo que precisava da minha ajuda. Seria aquilo um sinal de que eu poderia fazer realmente alguma diferença na vida daquelas pessoas? Ou apenas um sinal de um mundo cheio de injustiçados e carentes? Decidi que já era hora de repousar, dispensei Kirge e fui dormir.
Na manhã seguinte, acordei totalmente renovado e cheio de disposição. Sem pensar mais no que Kirge havia dito, voltei ao kodo e segui a estrada que me levaria ao Sul. Auld disse que a velha estava em Razorfen Kraul e ainda havia um bom caminho pela frente. Percebi que, adentrando aquelas terras, o perigo aumentava cada vez mais: menos sinais de raças amigas, mais animais selvagens pelos campos. E já conseguia ver vários quilboars nas encostas, longe da estrada.
Razorfen Kraul
O Sol já se escondia novamente atrás das montanhas quando finalmente avistei o desfiladeiro que dá acesso a Razorfen Kraul. O lugar é quase uma fortaleza natural, com as montanhas em volta cobertas por cipós grossos e espinhosos. De longe já pude ver os guardas de Charlga patrulhando a entrada; isso não seria nada fácil.

Estranhamente o cansaço do dia anterior não deu nem sinais. Ali, diante do desfiladeiro, o que me tomou totalmente foi um instinto predador, algo que eu já tinha ouvido falar, e até experimentado de algum modo, quando aprendi a me transformar em feras, mas daquela vez a intensidade era inédita. Podia sentir meu coração pulsando forte, minha visão buscando cada detalhe, minha audição captando tudo à minha volta. Quase sem o meu próprio controle, saltei do kodo, mudei para a forma de leão e comecei a espreitar. Nessa forma, posso ficar praticamente invisível e me aproximar da minha presa sem ser notado. O kodo, animal maravilhoso, partiu imediatamente de volta para casa.
Esperei que a noite dominasse totalmente o ambiente e comecei a minha invasão sutil. Ao entrar na caverna, encontrei o primeiro grupo de patrulhas. Guerreiros, caçadores, feiticeiros e, claro, javalis domesticados e prontos para atacar. Além disso, uma enorme estrutura de túneis se espalhava pelo interior da montanha. Teria que encontrar Charlga ali, então era melhor ser rápido. Fui procurando o ponto mais interior da caverna e o que encontrava, à medida que caminhava, eram mais guardas. A caverna seguiu numa espécie de espiral, até que chegou em pontos altos, separados por canions que formavam os corredores inferiores, mas ligados por pontes de madeira e cordas. Segui em direção às pontes, após três ou quatro, cheguei a uma área da caverna onde havia muitos morcegos, enormes como uma montaria. A essa altura eu já pensava: essa velha nunca vai ao mercado? Que lugar complicado! Me esgueirando entre os morcegos, vi um grupo de guardas diferentes, mantendo uma magia que bloqueava um dos túneis, parecia uma prisão. Como não era meu foco no momento, passei por eles e continuei minha busca, mas fiquei curioso com o que será que eles aprisionaram. Finalmente, saindo da câmara onde ficavam os morcegos, notei uma clareira à frente de uma cabana. De pé nessa clareira, bem à porta da cabana, estava Charlga Razorflank. Sozinha, sem guarda pessoal, nada.
Não poderia haver cenário melhor para mim. Depois de me esquivar de tantos perigos até ali, poderia concluir minha tarefa com o menor esforço e retornar seguro para casa. Continuei oculto nas sombras e posicionei-me bem atrás dela; então, subitamente, desferi um ataque fulminante. Ela não teve tempo de reagir, de fazer nenhum feitiço, acho que nem de ver quem a atacou. Cuidadosamente removi seu coração para levar de volta a Auld e provar que a havia matado. Depois disso, usei a Pedra do Lar que Gennia me deu e retornei para Bloodhoof.
Ao chegar, Gennia recebeu-me com festa. Eu tinha partido há apenas dois dias, mas parecia que tinham se passado uns vinte anos. Todos ali compreendiam o tamanho do passo que eu havia dado. Na primeira oportunidade em meio a tanta euforia, Gennia veio até mim e disse:
— Agora tem que terminar sua tarefa e continuar sua jornada. Os espíritos me disseram que você deve procurar Hamuul Runetotem, nosso arquidruida em Thunder Bluff. Fale com Auld sobre o que você fez, depois vá falar com Hamuul. Ele saberá o que os espíritos esperam de você.
Naquele momento, a pergunta que eu havia deixado de lado começava a ser respondida. Sim, o mundo estava cheio de injustiçados e carentes. E sim, eu posso fazer a diferença na vida de muitos deles. Mais uma noite de descanso e eu voltaria a Thunder Bluff. Tenho certeza que você gostará de saber como foi.
Até breve,
Broomn.
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